Thursday, October 19, 2006

Fantasmas

Quando pensamos que tudo o que foi já deixou de ser, quando estamos crentes de que, finalmente, um manancial gigantesco de novas oportunidades surge no nosso caminho, eis que uma situação inoportuna de inibição extravasante de uma censura primitiva nos faz vivenciar uma nova «prova de fogo», ressuscitando ineptamente realidades passadas e pondo termo aos esforços gorados de um superego já exaustivamente explorado...

Tuesday, September 12, 2006

Frases dos dias

«Deixa livre o que amas, se voltar é porque é teu, se não voltar é porque nunca te pertenceu!»

Mas a frase do dia de hoje é:
«És uma pessoa com sorte, pertences aqueles 6% da população que vive com mais de 20 dollars por dia, tens dois braços, duas pernas, es engraçado, inteligente, divertido, bem disposto... tens uma vida absurdamente boa!»

A verdade é que contra factos...

Wednesday, August 09, 2006

A cair mais depressa

Eu respondi: «Tenho vergonha.»
E então outra vez ouvi o murmúrio sem voz: «É preciso primeiro tornares-te criança e perderes essa vergonha.
Ainda tens o orgulho da mocidade, fizeste-te moço muito tarde; mas para voltares a ser criança é-te ainda necessário vencer a tua mocidade.»
E eu reflecti demoradamente, tremendo. Por fim repeti o que dissera a princípio: «Não quero!»

Tudo o que é de hoje cai e sucumbe; quem quereria retê-lo? Mas eu quero ainda empurrá-lo.

Thursday, July 20, 2006

Amo-te*

At last!

A pedido de muitas famílias (ou não) venho dar uma explicação para tão grande ausência...
Para quem acompanha o blog, não será dificil perceber a razão desta ausência... não se conhecerem a força que propulsiona os rasgos de um estado confusional que me leva a escrever!
A razão: Estou feliz!
Obrigado a quem se considera responsável =)

Sunday, April 16, 2006

Náufrago VI - Paradoxo

O Sol parece brilhar mais forte hoje…
As suas costas, escaldadas, mantêm-se firmemente hirtas mesmo após os quilómetros palmilhados… atrás de si vagas espumosas lutam por apagar peugadas profundas de pés profanamente calejados… As suas mãos nodosas cerram-se com força, enterrando as unhas na carne, numa vã tentativa de guardar um tesouro inexistente… Os braços pendem-lhe, mortos!
O olhar penetrante é hoje vazio, desprovido de vida, e os seus passos erráticos guiam-no por entre as vagas sem destino…
A serenidade do seu rosto esconde um eco gritante de desespero, uma vontade explosiva de agarrar, uma necessidade de calor… contra todas as expectativas, o coração não gelou!
Eterna será essa fagulha persistente que mantém longínquo o dia em que a chama se tornará extinta.

Wednesday, March 29, 2006

Náufrago V - O Assombro

Esperguiça-se!
O seu bocejo ecoa, ronronante, no silêncio envolvente. As narinas abrem-se até à exaustão, abrindo portas aos odores primaveris...
A triste constatação!
Tudo o que pensavas ter acontecido não passou de um sonho, manifestação questionável (ou não) de um profundo desejo da consciência omitido...
Palmilhas o céu em busca da hora... O Sol põe-se!, deitando-se mais uma vez no seu leito carmim... Ao seu lado uma só nuvem relembra-te um sonho do passado... quem sabe, um sonho do presente! Ao seu lado, uma nuvem toma a form,a de corpos celestiais... são anjos... dois... numa única nuvem da branca cor do algodão que te sara as feridas... dois anjos... uma nuvem... uma união perfeita muito aquém do que a carne pode alguma vez permitir...
Despertas agora que o Sol se põe... deixaste-te dormir, deixaste-te sonhar, para mais uma vez acordares como te deitaste, como a estrela que luta por vingar, querendo brilhar num céu onde o Sol ainda se põe...
Para mais uma vez acordares sozinho!

Tuesday, March 21, 2006

Náufrago IV - Primavera

O Sol parece querer brilhar além das folhas que escondem o céu. O cheiro a madeira molhada embrenha-se-te na pele, penetrando-te eroticamente nas narinas, envolvendo-te num abraço sedutoramente enebriante. Sentes-te levitar, sentes algo crescer em teu redor, algo que te sussurra ao ouvido que não estás só!
As raízes salientes das árvores envolventes parecem dançar em teu redor, ao som do burburinho sonolento que te leva à exaustão...
Recostas-te na erva verde primaveril e repousas de um cansaço feliz por algo que tu próprio te sentes construir.
Ao fim do dia, menos um nó na pulseira!